Os Perpétuos



Os Perpétuos ou Sem Fim (Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio) são um grupo de seres que personificam vários aspectos do universo na série de história em quadrinhos Sandman, de Neil Gaiman. Eles existem desde a aurora dos tempos e acredita-se que estão entre as criaturas mais poderosas (ou pelo menos influentes) do universo Sandman, desempenhando papel central ao longo da história, em que Sonho é o protagonista.

Os Perpétuos são uma família pouco convencional de sete irmãos. Em suas formas mais comuns, todos têm a pele branca (apesar de Destruição, Delírio e Destino serem bem menos pálidos que os outros) e a maioria tem cabelos negros, mas as aparências e personalidades variam bastante. Eles têm algum controle sobre os conceitos que representam mas, da mesma forma que os deuses retratados em Sandman, também são modelados a partir de expectativas e crenças subconscientes dos seres humanos. Em particular, a aparência de Sonho varia bastante, dependendo do observador.

Os Perpétuos gastam a maior parte de seu tempo exercendo suas funções: Morte dá vida aos recém-nascidos e leva as almas dos mortos para seus destinos; Morpheus vigia seu reino, o Sonhar, regulando sonhos, devaneios e inspirações; e assim por diante. Entretanto, alguns dos Perpétuos são mais dedicados às suas tarefas do que outros. Os mais jovens (em especial Desejo) tendem a brincar com as vidas dos mortais, e um deles, Destruição (frequentemente chamado de O Pródigo), abandonou há algum tempo seus deveres. Quando algo assim acontece, aparentemente aquele aspecto da existência passa a ser aleatório e arbitrário, ao invés de ser supervisionado por um indivíduo. Pode também acontecer de um Perpétuo falecer: neste caso, ele ou ela será substituído por outro ser que assumirá seu papel.

Cada um dos Perpétuos tem um reino (ou domínio), um lugar de localização, geografia, geometria e física incertas, nos quais eles são soberanos absolutos. Eles geralmente se sentem desconfortáveis nos reinos dos outros, e não visitam tais lugares a não ser que seja absolutamente necessário. Morte é a exceção, já que ela sempre vai a todos os locais necessários. Dentro de cada um dos reinos há uma galeria, que contém o símbolo ou sinal dos outros Perpétuos. Segurar o símbolo de um Perpétuo e chamá-lo pelo nome é uma forma de se entrar em contato com ele. Destino também pode chamar seus irmãos através da galeria que tem com pinturas de cada um deles.

Especulou-se durante a série que, além de poder enxergar sua própria esfera de influência, os Perpétuos também poderiam definir os opostos dos conceitos que representam. Este aspecto dualista dos Perpétuos é confirmado pelo menos no caso da Morte, que não só finaliza vidas como também as começa. Também é sinalizado este dualismo pelo grande interesse (que não necessariamente coincide com talento) que Destruição apresenta por várias atividades criativas, como arte, poesia e culinária - mas não se poder descartar a hipótese de que esta seria a forma que Destruição encontrou para se rebelar contra sua própria natureza, ao invés de assumir seu papel e função.

Se esta hipótese se estende aos outros Sem Fim, então também Delírio pode definir sanidade; Desespero, esperança; Desejo, satisfação (ou talvez contentamento, ou apatia, ou ódio); Destino, liberdade; e Sonho, por sua vez, realidade. (Foi notado que Desejo e Desespero são opostos, já que desejar algo significa reconhecer que seu desejo não pode ser alcançado, e daí nasce o desespero). Esta hipótese se baseia numa noção que Gaiman tem, de que contrastes e limitações são necessários para determinar o valor de qualquer coisa: sem a morte, a beleza da vida seria ignorada; sem desespero, a felicidade (ou a esperança) não teria significado; sem a loucura, não se poderia falar em sanidade.

A origem e exata natureza dos Perpétuos é incerta, e poucas pistas são dadas, ao longo das séries, sobre o motivo exato de sua existência.

Eles são tão antigos quanto os conceitos que representam, e apesar de sua idade não ser mensurável em anos, é sabido que existem há bem mais tempo do que a vida na terra. Isto é possível graças à existência, muito anterior à criação do nosso planeta, de inúmeras e avançadas civilizações extraterrestres no universo Sandman (e, grosso modo, também no universo da DC Comics).

Isto é mostrado em Sandman # 5, quando Sonho é reconhecido por Ajax como o antigo deus do sonho marciano, e no livro Noites Sem Fim, no capítulo Sonho: O Coração de uma Estrela, que se passa numa época em que o Sol era ainda muito jovem e a vida terrestre ainda não havia despertado.

Uma das poucas referências a qualquer tipo de parentela para os Perpétuos é em The Sandman # 70, onde uma entidade senciente na Lithargo da Necrópole que guarda os símbolos de cada um dos Perpétuos se lamenta "como uma mãe lamentando pelo filho que se foi." O significado da Necrópole para os Perpétuos permanece um dos maiores mistérios da série.

Geralmente, os Perpétuos não são reconhecidos por nomes (exceto no caso de Sonho, que coleciona nomes como alguns colecionam amigos), e sim por sua função, mas é óbvio que sua função não é capaz de os caracterizar completamente. Os Perpétuos são, em ordem de nascimento (apesar de Desejo e Desespero serem gêmeos):

  • Destino
  • Morte
  • Sonho
  • Destruição
  • Desejo
  • Desespero
  • Delírio

Embora seja perdida na tradução em português, há uma aliteração interessante nos nomes da família dos Perpétuos: todos eles, no inglês original, começam com "D" (Destiny, Death, Dream, Destruction, Desire, Despair, Delirium/Delight). Existe inclusive a suspeita de que outros conceitos importantes, como Tempo, tenham ficado de fora da lista dos Perpétuos por não terem nenhuma palavra equivalente com "D" inicial.

Destino: Um homem cego, vestindo uma túnica cinza ou marrom, carregando um livro. O livro está acorrentado a ele, ou ele ao livro, e nele se encontra a descrição de toda a existência do universo: passado, presente e futuro. Destino parece ser o mais dedicado às suas funções e responsabilidades de toda a família, raramente demonstrando algum traço de sua personalidade, e ele observa eventos mais do que os causa. Seu símbolo é seu livro. Morte: uma garota jovem, aparentando cerca de 20 anos, magra, atraente, que sempre carrega no pescoço um ankh (que representa a vida), e quase sempre tem uma tatuagem do Olho de Hórus sob um dos olhos. Ela se veste de preto, com uma estética gótica, mas suas atitudes são o oposto do gótico: ela é alegre, descontraída, casual e bem-humorada. É, de toda a família, quem se dá melhor com Sonho. Seu símbolo é o ankh.

Destruição: Um homem robusto, ruivo, que costumava ter uma barba espessa (apesar de não ter barba nenhuma atualmente). Ele abandonou suas responsabilidades de Perpétuo há alguns séculos atrás, causando muitos conflitos entre ele e seus irmãos. É apaixonado por tarefas criativas e construtoras, mas demonstra pouco talento para elas. Seu símbolo é a espada. Há dúvidas se ele ainda é Destruição desde que abandonou seu reino, e ele é mais comumente chamado de "O Pródigo" ou "Irmão".

Desejo: Perpétuo(a) sem gênero definido, Desejo é magro(a), belo(a), pálido(a) e andrógino(a). Tem um longo histórico de rivalidades com Sonho. Apesar de ser gêmeo(a) de Desespero, em um certo sentido é mais velho(a) do que ela; esta encarnação específica de Desespero é a mais jovem dos Perpétuos, já que a Desespero original morreu em circunstâncias não explicadas na série.

Desespero: Obesa, baixa, nua e acinzentada, com dentes irregulares, modos frios e discretos, tem o hábito de rasgar a própria pele com um anel de gancho que usa. Este anel também é seu símbolo. Em sua primeira encarnação, Desespero tinha várias das características físicas que tem agora, mas sua pele era de uma tonalidade mais saudável, com intrincadas tatuagens vermelhas. Também era retratada como sendo mais falante, autoritária e extrovertida do que seu aspecto atual.

Delírio: Uma garota jovem cuja aparência é a mais mutável dentre os Sem Fim, graças às flutuações aleatórias de seu temperamento. Seu cabelo tende a ser desgrenhado e multicolorido, e suas roupas, desparelhadas e excêntricas. Sua única característica mais ou menos permanente é o fato de ter um olho azul e o outro verde, mas eles mudam entre si e Delírio pode deixá-los da mesma cor, se for absolutamente necessário que se torne o mais ordenada possível. Ela já foi Deleite um dia, mas algum evento traumático em seu passado a deixou em sua forma atual. Uma pista do que aconteceu é deixada na saga Estação das Brumas, quando Lúcifer, ao saber da visita de Sonho em seu reino, diz à seus servos que Outro (entenda-se outro perpétuo) está vindo e que será um Deleite recebê-lo, dando a entender que haja ligação entre Lucifer e os acontecimentos com Deleite/Delírio. Seu símbolo é uma bolha abstrata, colorida e sem formato definido.